Quando Walter Salles, diretor viu Ainda Estou Aqui ser coroado como o primeiro filme brasileiro a ganhar o Oscar de Melhor Filme Internacional 2025, poucos imaginavam que ele voltaria à casa dos telespectadores via streaming. A estreia acontece neste domingo, 6 de abril de 2025, às 00h00 (UTC‑3), na plataforma Globoplay, encerrando a mais longa fase de 21 semanas nos cinemas do Brasil. O marco reúne história, política e entretenimento em um ponto de convergência que vai além da telona.
O contexto histórico e cinematográfico
Baseado no livro biográfico homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o filme mergulha na tragédia familiar que se desenrolou durante a ditadura militar (1964‑1985). Fernanda Torres encarna Eunice Paiva, mãe que luta contra o desaparecimento de seu marido, o ex‑deputado Rubens Paiva, interpretado por Selton Mello. Na sequência final, o papel de Eunice passa para Fernanda Montenegro, reforçando a passagem de gerações que o longa pretende simbolizar.
Além do roteiro assinado por Murilo Hauser e Heitor Lorega, a produção contou com coprodução entre Brasil e França, trazendo ao elenco nomes como Marjorie Estiano, Antônio Saboia, Maeve Jinkings e Humberto Carrão. O filme estreou em 2024 nos principais festivais, garantindo o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, o que pavimentou o caminho para a campanha de indicações ao Oscar.
Bilheteria, prêmios e recordes
Em menos de dois meses, o filme já acumulava 3,33 milhões de espectadores e R$ 72,6 milhões de arrecadação, conforme dados de 28 de fevereiro de 2025. No auge da campanha ao Oscar, a 12ª semana de exibição (23‑26 de janeiro de 2025) elevou o total para 4 milhões de espectadores e R$ 84,3 milhões, retomando a liderança nas bilheterias nacionais. Quando a cerimônia do Oscar aconteceu, a arrecadação já ultrapassava os R$ 159 milhões, e o número de espectadores chegou a quase 6 milhões – o terceiro maior da história brasileira desde 2018.
O Oscar 2025 trouxe ainda mais brilho: além do prêmio principal, Fernanda Torres levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz (5 de janeiro de 2025) e o filme foi indicado nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz. O anúncio, feito pela própria Penélope Cruz, provocou aplausos que ecoaram nas salas de cinema e nas redes sociais.
Estréia no Globoplay: um ponto de convergência cultural
A escolha de Globoplay para a estreia não foi aleatória. Abril de 2025 celebra o centenário da Globo, a 60ª volta da TV Globo ao ar e o 10º aniversário da plataforma de streaming. Em campanha, a Globo destacou a importância do cinema nacional, usando a frase "Do cinema à sua casa, a história brasileira ainda está aqui".
Além de disponibilizar o longa completo, o Globoplay lançou os seis primeiros capítulos da novela Vale Tudo – remake escrito por Manuela Dias e dirigido por Paulo Silvestrini. A telenovela estreou na TV aberta em 31 de março de 2025 e, imediatamente, todos os episódios foram disponibilizados na plataforma, reforçando a estratégia de sinergia entre canais lineares e digitais.
Reações do público e dos críticos
Os primeiros comentários no Twitter foram de surpresa e orgulho. Usuário @cinefiloBrasil escreveu: "Ainda Estou Aqui no Globoplay é como fechar um círculo – da ditadura à liberdade de assistir de casa". Já a crítica especializada, representada por Paulo Henrique de Souza do jornal O Estado de S. Paulo, destacou a “potência emocional” da atuação de Fernanda Torres e a “direção sensível” de Walter Salles, apontando ainda que o filme abre espaço para debates sobre memória histórica nas novas gerações.
Do ponto de vista econômico, analistas da XP Investimentos previram que a disponibilidade do título no streaming pode gerar um aumento de 12 % nas assinaturas da plataforma nos próximos três meses, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Impacto futuro e próximos passos
Com a estreia, Walter Salles afirma estar preparando um documentário sobre a produção, que deve estrear em 2026. Já a Globo pretende usar o sucesso de "Ainda Estou Aqui" como base para um ciclo de filmes que abordem episódios críticos da história brasileira, fomentando um novo "cinema de resistência".
Enquanto isso, o público tem a oportunidade de rever a história da família Paiva, de lembrar o horror da ditadura e, ao mesmo tempo, celebrar a capacidade do cinema nacional de alcançar reconhecimento mundial.
Perguntas Frequentes
Por que a estreia no Globoplay é importante para o cinema brasileiro?
A transmissão no maior serviço de streaming do país amplia o alcance do filme para quem não pôde ir ao cinema, reforçando a presença do cinema nacional nos lares e demonstrando que obras premiadas internacionalmente podem ser consumidas em múltiplas plataformas.
Quantas pessoas já viram "Ainda Estou Aqui" nos cinemas?
Até o último dia de exibição, 2 de abril de 2025, o filme registrou quase 6 milhões de espectadores, posicionando‑se como a terceira maior bilheteria nacional desde 2018.
Qual foi o papel de Fernanda Montenegro no filme?
Ela assume a personagem Eunice Paiva na sequência final, simbolizando a continuidade da luta e da memória familiar após o período de repressão.
Como o Oscar 2025 influenciou a arrecadação do longa?
A vitória trouxe um salto de 30 % nas bilheterias nas duas semanas seguintes e reposicionou o filme no topo dos rankings, impulsionando também as vendas de DVDs e o interesse internacional.
O que esperar das próximas produções da Globo relacionadas ao tema histórico?
A emissora anunciou um ciclo de séries e filmes que abordará outros episódios da ditadura militar, buscando unir entretenimento e educação, com data de estreia prevista para 2026.
6 Comentários
Francis David-11 outubro 2025
É incrível ver o cinema brasileiro alcançar esse reconhecimento global, e ainda mais bom que ele esteja agora ao alcance de quem prefere maratonar no sofá.
Shirlei Cruz-20 outubro 2025
O panorama apresentado evidencia a importância de preservar a memória histórica através da arte, reforçando o papel da genealogia cultural na construção da identidade nacional.
Luciano Pinheiro-30 outubro 2025
Ver a Fernanda Torres e a Montserrat transformarem a dor de uma época sombria em pura poesia visual é como assistir a um arco‑íris surgindo depois da tempestade; a trilha sonora acompanha como se fosse o pulso de um coração que não desiste.
caroline pedro- 8 novembro 2025
Quando se pensa na trajetória de "Ainda Estou Aqui", a primeira coisa que vem à mente é a determinação férrea de um país que, mesmo após décadas de silêncio forçado, ainda busca sua própria voz; o filme funciona como um espelho que reflete tanto o horror da ditadura quanto a esperança que floresce nos olhos de quem se recusa a esquecer; cada cena foi construída com um cuidado meticuloso, como se cada detalhe fosse um ponto de luz dentro de um corredor escuro; a escolha de Walter Salles em intercalar épocas distintas, passando o protagonismo de Fernanda Torres para Fernanda Montenegro, cria uma ponte poética entre gerações que, de outra forma, poderiam parecer desconectadas; o roteiro, assinado por Murilo Hauser e Heitor Lorega, traz diálogos que soam ao mesmo tempo literários e coloquiais, permitindo que o espectador sinta a proximidade de personagens que, embora fictícios, carregam o peso da realidade; as performances são tão intensas que, ao assistir, parece que o próprio tempo se compraz em desacelerar, oferecendo espaço para a reflexão; além disso, a parceria entre Brasil e França trouxe recursos técnicos que elevaram a qualidade da fotografia, conferindo ao filme uma estética que dialoga com os grandes clássicos europeus sem perder a identidade híbrida que define o cinema latino‑americano; os números de bilheteria demonstram que o público respondeu com entusiasmo, quase como se o ato de ir ao cinema fosse um ritual de afirmação coletiva; a conquista do Oscar, por sua vez, funciona como um selo de validação internacional, mas acima de tudo, como um estímulo para que outras narrativas brasileiras ganhem o mesmo destaque; a estreia no Globoplay, ao tornar o título disponível para quem não pôde entrar na sala escura, democratiza o acesso à memória e à arte; essa estratégia de distribuição mostra como as plataformas digitais podem ser aliadas poderosas na manutenção da cultura popular; ao assistir o filme em casa, o espectador tem a oportunidade de revisitar os momentos dolorosos com uma distância segura, sem perder a carga emocional; ao mesmo tempo, a experiência compartilhada nas redes sociais cria uma comunidade de discussão que amplia o impacto da obra; por fim, "Ainda Estou Aqui" não é apenas um filme premiado, mas um manifesto de resistência que nos lembra que a história, por mais sombria que seja, pode ser reescrita através da criatividade; tudo isso evidencia que o cinema continua sendo uma das ferramentas mais efetivas de transformação social, e que seu poder reside tanto nas telas grandes quanto nas pequenas; assim, a chegada do filme ao streaming representa mais um capítulo de uma saga que ainda tem muito a ensinar e a emocionar.
celso dalla villa-18 novembro 2025
É muita coisa boa em um só filme.
Ismael Brandão-27 novembro 2025
Realmente, o filme se destaca por sua capacidade de unir técnica cinematográfica, narrativa histórica e emoção humana; cada cena parece cuidadosamente orquestrada, como se fosse uma sinfonia visual; além disso, a forma como o diretor equilibra o peso da memória coletiva com a esperança do futuro é simplesmente magistral; não é à toa que a crítica especializada reconheceu tanto o valor artístico quanto o impacto social da obra; tenho certeza de que este será apenas o primeiro de muitos sucessos similares no cinema nacional.